Das margens do Tapajós para Milão: cerâmica ancestral de Vandria Borari leva memória indígena da Amazônia à Europa

  • 25/05/2026
(Foto: Reprodução)
Artista ceramista Vandria Borari Divulgação Do barro moldado às margens do rio Tapajós nasce uma arte que atravessa oceanos carregando memória, espiritualidade e resistência. A artista ceramista e liderança indígena Vandria Borari, da vila de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, levará para a Itália uma obra que conecta ancestralidade indígena, arqueologia e floresta amazônica em uma narrativa moldada pela terra. ✅ Siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Obra da artista Vandria Borari Divulgação Vandria integra a exposição coletiva No Hay Banda, apresentada pela Conceptual Fine Arts, em Milão, entre os dias 29 de maio e 26 de junho de 2026. A mostra reúne artistas de diferentes partes do mundo em trabalhos que dialogam com território, memória, espiritualidade e arte contemporânea. No centro da participação amazônica está a obra YUPIRANGÁWA, palavra de origem Nheengatu que significa “origem”. A instalação nasce da relação entre os povos originários e a “Kaa”, a floresta viva, revelando como sementes, plantas medicinais, frutas e palmeiras fazem parte da construção histórica da própria Amazônia. As peças criadas por Vandria são inspiradas em vestígios paleoetnobotânicos encontrados em sítios arqueológicos do oeste do Pará, pesquisados pela antropóloga Myrtle Pearl Shock, da Universidade Federal do Oeste do Pará. A artista transformou sementes ancestrais de tucumã, curuá, muruci e castanha-do-pará em esculturas cerâmicas de grandes proporções. Os elementos fazem referência a descobertas realizadas em áreas históricas como o Porto de Santarém e a Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre, territórios marcados pela presença da terra preta amazônica, vestígios cerâmicos e sinais das antigas ocupações humanas na floresta. A obra de Vandria Borari ultrapassa o campo artístico e assume o papel de narrativa viva dos povos do Baixo Tapajós. Em cada peça, o barro carrega marcas de pertencimento, resistência cultural e da relação ancestral entre os povos indígenas e a Amazônia.

FONTE: https://g1.globo.com/pa/santarem-regiao/noticia/2026/05/25/das-margens-do-tapajos-para-milao-ceramica-ancestral-de-vandria-borari-leva-memoria-indigena-da-amazonia-a-europa.ghtml


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